MOMENTO DO DISCIPULADO
Nós observamos que os primeiros meses da conversão de um indivíduo são tão cruciais para o seu caráter espiritual quanto os primeiros cinco anos são para o desenvolvimento de uma criança. Percebemos que essa "janela de oportunidade" define se o novo cristão será um discípulo vitorioso e frutífero ou se se tornará um "crente velho" precocemente — alguém que apenas assimilou vícios, manias e costumes religiosos que cauterizam a alma. É lamentável notar como muitos novos convertidos são abandonados à própria sorte, sem a lapidação intensa e o investimento de amor necessários para moldar a "pedra bruta" à imagem de Jesus. Por isso, devemos clamar para que haja um senso de urgência no cuidado imediato com aqueles que chegam ao Reino. Somente através de um acompanhamento intencional e presente poderemos evitar que o novo nascimento seja sufocado por uma religiosidade estéril sob a proteção do Senhor.
Nós testemunhamos que o crescimento espiritual não ocorre de forma isolada e não pode ser substituído por meros conhecimentos teóricos ou teológicos. Percebemos que, assim como ninguém aprende a dirigir apenas decorando as leis de trânsito sem a presença de um instrutor ao lado, o cristão não cresce sozinho apenas lendo manuais. É inadmissível a ideia de uma espiritualidade autodidata que dispensa o referencial humano e o ensino presencial de líderes experientes que caminham junto na prática do dia a dia. Diante dessa necessidade de instrução real, precisamos entender que o Espírito Santo opera como o Instrutor Maior, mas utiliza homens e mulheres como ferramentas de auxílio mútuo. O nosso papel é sermos guias práticos, oferecendo não apenas palavras, mas a própria vida como exemplo para que o novo convertido aprenda a trilhar o caminho da retidão com segurança.
Nós sentimos que o fundamento da obra de Deus, a exemplo da edificação do Templo de Salomão, deve ser composto por "pedras de valor" — líderes que sirvam de base sólida e bem aprumada para os que vêm acima. Entendemos que a qualificação de pastores, presbíteros e diáconos não deve ser medida pela habilidade de oratória ou pela aparência externa, mas por uma vida santa, reta e de bom testemunho familiar e profissional. Por essa razão, convocamos todos os que exercem liderança a se tornarem referências seguras, pois se o alicerce estiver torto ou for de material vil, toda a estrutura do discipulado ruirá. Devemos permanecer unidos na busca pela santidade exigida nas instruções de Paulo a Timóteo e Tito, garantindo que o fundamento seja digno do edifício espiritual que Deus está levantando. O nosso papel é sermos pedras polidas e de valor, para que aqueles que estamos formando encontrem em nós um solo firme para crescerem em graça e conhecimento.
